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Liderança falha quando só cobra e não desenvolve
O maior gargalo das empresas não está na estratégia, mas na forma como líderes transformam cultura, confiança e gestão de pessoas em execução e resultado sustentável
Em novo livro, Reinaldo Rachid defende que o maior gargalo das empresas não está na estratégia, mas na forma como líderes transformam cultura, confiança e gestão de pessoas em execução e resultado sustentável.
Em um ambiente corporativo pressionado por metas cada vez mais agressivas, transformação tecnológica acelerada e queda nos níveis de engajamento, uma pergunta começa a ganhar mais espaço dentro das empresas: por que organizações com boas estratégias continuam falhando na execução?
Para o engenheiro, consultor e escritor Reinaldo Rachid, a resposta está menos no desenho estratégico e mais na forma como as pessoas são conduzidas dentro das organizações. Essa é a provocação central do livro Gerar Valor com Pessoas, publicado pela editora Actual, do Grupo Editorial Alta Books, que propõe uma revisão profunda dos modelos de liderança e gestão ainda predominantes nas empresas.
A partir de sua experiência de mais de 25 anos em consultoria, Rachid sustenta que boa parte das companhias aprendeu a diagnosticar problemas, estruturar processos e definir metas, mas continua encontrando dificuldade para transformar tudo isso em comportamento cotidiano e resultado consistente.
“Identificar problemas e criar soluções são ações muito diferentes, e as empresas têm formado profissionais muito mais para diagnosticar do que para resolver”, afirma o autor.
O problema não é só estratégia. É gestão de pessoas
A obra parte de uma crítica direta ao modelo de gestão baseado em controle, cobrança e alta exigência sem desenvolvimento equivalente. Segundo Rachid, muitas empresas elevam a régua das metas, mas não investem com a mesma intensidade na preparação das pessoas que precisarão entregar esses resultados.
Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que, mesmo com planejamento robusto, ferramentas modernas e acompanhamento de indicadores, tantas organizações ainda enfrentam dificuldade para executar.
“Entregamos metas cada vez mais desafiadoras, mas não desenvolvemos as pessoas para alcançá-las. Depois, cobramos o resultado como se o problema fosse apenas de execução”, explica.
A leitura proposta pelo autor dialoga diretamente com os desafios atuais de RH e gestão de pessoas, especialmente em empresas que buscam aumentar produtividade, fortalecer cultura e sustentar crescimento sem aprofundar desgaste, rotatividade e baixa conexão entre liderança e equipes.
Resultado sustentável depende de comportamento e cultura
Ao longo do livro, Rachid argumenta que o diferencial competitivo das empresas não está apenas na estratégia formalizada, mas na capacidade de transformá-la em prática diária. E isso depende, sobretudo, da forma como a liderança atua, da qualidade das relações internas e do ambiente cultural construído no cotidiano.
Nesse ponto, a obra desloca o foco da gestão tradicional, excessivamente orientada a comando e controle, para uma abordagem que integra cultura organizacional, comportamento e resultado.
Mais do que cobrar performance, o autor propõe que as empresas repensem como criam condições para que as pessoas contribuam com clareza, responsabilidade e protagonismo real.
Do PDCA ao PDCL: aprender também precisa fazer parte da gestão
Um dos conceitos centrais apresentados no livro é a evolução do tradicional ciclo PDCA — Planejar, Executar, Checar e Agir Corretivamente — para PDCL, com a inclusão de um novo elemento: Lições Aprendidas.
Na prática, essa adaptação propõe uma mudança importante na forma como empresas tratam erro, desempenho e melhoria contínua. Em vez de ambientes centrados na exposição, na culpa ou na pressão corretiva, o modelo sugere contextos em que o aprendizado passa a ocupar lugar estratégico no processo de gestão.
“Quando associamos o erro a culpados, eliminamos a oportunidade de aprendizado. Quando investigamos o processo, desenvolvemos as pessoas”, afirma Rachid.
Para o RH, essa mudança de lógica é especialmente relevante. Ela amplia a discussão sobre segurança psicológica, desenvolvimento de lideranças e construção de ambientes mais colaborativos, nos quais o erro não interrompe a evolução — mas pode se tornar insumo para ela.
Colaboração não acontece sozinha
Outro ponto forte da obra está na crítica à ideia de que colaboração surge espontaneamente apenas porque pessoas diferentes estão reunidas em uma mesma equipe. Para Rachid, esse é um equívoco recorrente nas organizações.
Segundo ele, barreiras como ego, medo de julgamento, rivalidade, arrogância e ausência de confiança seguem bloqueando o potencial coletivo em muitas empresas, mesmo naquelas que defendem diversidade de pensamento e inovação como valores.
“Para se ter diversidade de ideias, não basta juntar pessoas. É preciso saber conectá-las”, defende.
Esse argumento reforça um debate importante para a gestão de pessoas: colaboração é uma competência construída, não um efeito automático da estrutura organizacional. E sua sustentação depende de liderança, critérios de convivência, escuta e maturidade relacional.
Ferramentas práticas conectam liderança, confiança e geração de valor
Além do olhar conceitual, o livro apresenta instrumentos práticos voltados à aplicação nas empresas. Entre eles estão o Roteiro de 10 Passos para Gerar Valor, a Equação da Confiança e o Modelo RAIDHO, que integra autoconhecimento, relação com o outro e entrega de valor.
A proposta é mostrar que liderança eficaz não se resume a orientar tarefas ou cobrar resultados, mas envolve criar conexão entre realização individual e objetivo coletivo.
“Liderar é engajar pessoas em busca de realização pessoal, conectando-as a um objetivo comum em que o valor gerado pelo time é maior do que as contribuições individuais”, comenta o autor.
Livro amplia debate sobre o futuro da gestão
Mais do que uma publicação sobre liderança ou eficiência, Gerar Valor com Pessoas se posiciona como uma reflexão sobre o futuro das organizações. Ao fugir do formato rígido dos manuais tradicionais, o livro funciona como um convite à revisão da forma como empresas tomam decisões, organizam times e sustentam resultado.
Com forte aderência a temas como engajamento, cultura, liderança, confiança, desenvolvimento humano e performance, a obra se conecta especialmente a CEOs, executivos, gestores e profissionais de Recursos Humanos que buscam modelos de gestão mais consistentes diante de um mercado em transformação.
No centro da tese de Reinaldo Rachid está uma ideia que ganha cada vez mais relevância nas empresas: o valor de um negócio não nasce apenas da estratégia escrita ou da meta definida, mas da qualidade das relações humanas que sustentam decisões, execução e resultado ao longo do tempo.